‘‘Era escuro, depois chão revela uma geografia da destruição. Os sobreviventes às queimadas, embora modificados de suas formas originais, são os metais. Recolhidos por Morbeck, eles se apresentam como constelação visual cuja disponibilidade afável no espaço da galeria não apresenta o horror implícito neles. Talvez essas sejam as flores do futuro: permanentes apesar de modificáveis.’’ | Fábio Gatti - trecho do texto curatorial da exposição ‘É TUDO DEPOIS’.
‘‘Era escuro, depois chão é uma instalação em que peças metálicas encontradas no chão foram expostas na parede, sem uma ordem evidente, mas que encaminha do canto direito para o esquerdo, primeiro as peças maiores depois as menores, criando também uma sensação de movimento, em constelação. O artista expõe a face mais rugosa das peças de metal que ficaram em contato direto com a terra, e que carrega as formas criadas pelo solo para comportar em si o material derretido pelo fogo que o transformou.’’ | Priscila Miraz - artigo da revista Muito.
"A montagem Era escura, depois chão, de Mateus Morbeck, questiona a ideia de humanidade ao trazer a textura da terra queimada em fragmentos de metais recolhidos pelo artista após uma queimada na Chapada Diamantina, situação na qual estava envolvido em apoio aos brigadistas do parque. A montagem dos fragmentos remete a uma explosão, como a primordial que proporciona a criação do universo.
A assincronia da montagem de sua composição aciona uma lógica de catalogação que reúne uma arqueologia do futuro, uma pré-datação de nosso fim enquanto humanidade, ou ao menos, uma tentativa de lidar com isso." | Milene Migliano - Artigo na coluna Olhares da Revista Muito.
"Na instalação, o artista constrói uma geografia da destruição que revela a persistência da matéria. Os fragmentos metálicos, recolhidos após incêndios na Chapada Diamantina, carregam as marcas do fogo e da transformação.
No espaço expositivo, esses vestígios brilham como constelações terrestres - resíduos de um planeta em combustão que, paradoxalmente, anunciam uma nova vida. Há neles uma beleza trágica e cósmica: o que foi queimado ressurge como signo de resistência." | Thaís Darzé - Texto curatorial da exposição "Floresta de Infinitos".