guardiões

[2019]

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Ficha Técnica
Retratos dos voluntários que atuaram na limpeza do petróleo derramado nas praias brasileiras em 2019, sobrepostos com imagens do próprio poluente extraídas a partir da imersão do papel nas manchas de óleo, na técnica literal ‘óleo sobre papel’.
Coleções Institucionais
Museu da Fotografia de Fortaleza, Brasil
Mediterraneum Collection, Catânia, Itália
Exposições
NFT Brasil 2023
6º Festival de Fotografia de Paranapiacaba, 2023
Qxas Festival de Fotografia Sertão Central, 2022
Portfólio em Resumo - Resumo Fotográfico, 2021
Exposição Bolhas Virtuais, 2021
Efêmero Festival de Fotografia, 2021
FestFoto Porto Alegre, 2021
Bolhas Virtuais, 2021
Brasília Photo Show, 2020
25º Salão de Artes Visuais de Vinhedo, 2020
Pequeno Encontro da Fotografia, 2020
Texto
Em Guardiões, o desastre não permanece diante da câmera: adere à imagem e passa a constituí-la. Os retratos dos voluntários que atuaram na retirada do petróleo das praias são atravessados por vestígios do próprio poluente, obtidos pelo contato direto do papel com as manchas de óleo. Sobre rostos parcialmente encobertos por máscaras, filtros e óculos de proteção, a matéria se espalha, sedimenta, interrompe e transforma. O petróleo deixa de ser apenas aquilo que se vê para tornar-se aquilo que age sobre o visível.
 
As sobreposições aproximam dois registros do mesmo acontecimento: o corpo que se expõe ao desastre e a matéria que conserva seus efeitos. As manchas não ilustram a contaminação nem funcionam como elemento exterior ao retrato; elas atravessam os rostos e desestabilizam a aparente separação entre sujeito e ambiente, documento e vestígio, representação e presença. Na formulação literal óleo sobre papel, o procedimento incorpora à fotografia uma matéria que continua reagindo e se modificando, prolongando no tempo da obra aquilo que não se encerrou com a limpeza das praias.
 
Entre proteção e exposição, anonimato e presença, os olhos sustentam o que a contaminação não consegue apagar. Esses corpos não aparecem como heróis apartados da paisagem, mas como parte vulnerável de um território atingido, assumindo o cuidado que a insuficiência institucional tornou urgente. O título Guardiões não os coloca acima da catástrofe: revela a condição contraditória de quem protege enquanto permanece exposto. Na superfície compartilhada pelo retrato e pelo óleo, contaminação e cuidado tornam-se inseparáveis. Nada permanece intacto: nem o corpo, nem a paisagem, nem a imagem.
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mateus morbeck

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