nem tudo é mar

[2019]

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Ficha Técnica
Nem tudo é mar, 2019
Monotipia tipo “Suminagashi” produzidas a partir da imersão do tecido de algodão nas manchas de petróleo derramado nas praias do nordeste brasileiro, na técnica literal “óleo sobre tecido”
6 peças de 74,5 x 112 x 7 cm
Tiragem única
Exposições
É tudo depois, Ativa Atelier Livre, 2022, Salvador/BA
Texto
‘‘Nem tudo é mar e Meia água, escancaram os problemas capitalistas cujas raízes remontam à prática colonial, de conquista/travessia das águas. Nem tudo é mar faz pensar diretamente na poluição da água pelo óleo cru condensado, mas sobretudo na presença do vento. O mesmo que trouxe as capitanias europeias carregou o petróleo, por quilômetros, espalhando-o por 116 municípios do litoral nordestino.

Mateus compra lençóis, corta-os e os usa como suporte de criação. Desfigurado de sua utilidade, o lençol assume novo papel sem se desvincular da ideia de casa, de cama, de descanso. Se a casa do talassociclo é o mar, a ação de Morbeck, de retirar as manchas de óleo por uma espécie de monotipia, acende a discussão sobre a separação fundada na modernidade entre o humano – a humanidade da qual fala Krenak – e a natureza.’’ | Fábio Gatti - trecho do texto curatorial da exposição ‘É TUDO DEPOIS’.

‘‘Na obra Nem tudo é mar a técnica é a mesma, sendo modificado o suporte, agora lençóis em que o ocre do óleo de torna mais claro, as formas mais abertas. Lentamente as matérias se transformam pelo contato que lhes foi imposto, para além do controle do artista.

O papel, o tecido e o óleo seguem reagindo e se modificando. A lentidão dessas transformações indica o movimento do todo, e sem aviso, as imagens recolhidas no mar podem nos conduzir à dança contínua de uma paisagem cósmica, nos lembrando que tudo está conectado. A catástrofe toma uma proporção ainda maior. | Priscila Miraz - artigo da revista Muito.
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