"Mesmo assim" trata da falha da substituição: quando algo feito para simular o vivo é levado ao limite e perde sua promessa de naturalidade. O trabalho não propõe retorno, cura ou transformação, sustenta um estado pós-função, em que a matéria permanece sem destino e sem reintegração. A operação força a aparência a atravessar um ponto de não retorno, revelando que certos materiais não “morrem”, apenas mudam de regime.
A forma resultante não se presta a uma total abstração. Mesmo depois da fusão, algo do simulacro persiste: vestígios de folha, uma memória de vegetalidade que não se completa nem desaparece. A linha ondulante registra gravidade, tempo e resfriamento como rastro de um acontecimento, congelando um movimento que já cessou. Esse resto reconhecível não é nostalgia do natural: é simulacro resignificado, agora exposto como ruína funcional, ainda “folha” o bastante para acusar sua origem e deformado o suficiente para afirmar a falência dessa origem, mesmo assim.