O peso menor das coisas, 2026 Madeira e Isopor de enchimento de laje derretido coletados em caçambas de entulho Dimensões variáveis Tiragem única
Texto
O peso menor das coisas parte de uma zona secundária, onde presença e invisibilidade convivem, para perguntar o que acontece quando aquilo que deveria permanecer interno, discreto e funcional deixa de obedecer ao lugar que lhe foi determinado.
O menor, aqui, não corresponde a uma redução de importância, mas, nomeia uma condição periférica dentro das hierarquias que organizam o valor das coisas. Há elementos destinados a serem vistos e outros destinados apenas a cumprir uma função; há superfícies que recebem acabamento e partes que podem permanecer ocultas; há aquilo que constitui a imagem e aquilo que desaparece para que essa imagem se sustente.
Extração, uso e descarte estabelecem mudanças de regime atravessando limites a partir dos quais já não se pode retornar à condição anterior, mas, também não alcança uma forma definitiva. O resultado permanece instável, como se ainda carregasse o acontecimento que o produziu, mantendo a matéria em estado de suspensão, onde sua presença já não pode ser justificada pela utilidade. Assim, forma e acidente deixam de ocupar posições opostas e o acidente passa a constituir a própria aparência da coisa.
O trabalho não reivindica monumentalidade para tornar visível aquilo que foi relegado ao fundo. Sua dimensão contida exige outra relação com o olhar, mais próxima da atenção do que do impacto. O menor concentra, em vez de reduzir.
O peso menor das coisas permanece no limiar entre aquilo que serviu e aquilo que persiste. Não procura devolver valor ao resíduo nem oferecer uma segunda função que resolva sua condição. O que resta é a insistência. Aquilo que ocupava o vazio continua a ocupar espaço, e aquilo que foi feito para aliviar começa, finalmente, a pesar.